A maioria dos softwares de localização é construída, com razão, em torno de suposições que valem para a grande maioria das latitudes habitadas e povoadas. Perto dos polos, várias dessas suposições deixam discretamente de fazer sentido, e qualquer sistema que não tenha sido testado de propósito ali tende a se comportar de formas que vão do levemente estranho ao realmente quebrado.
O exemplo mais claro é a própria longitude. Em qualquer outro lugar da Terra, uma determinada variação de longitude corresponde a uma distância real e calculável, que diminui apenas gradualmente à medida que você se afasta do equador. Perto dos polos, essa distância diminui até praticamente nada, já que todas as linhas de longitude convergem para um mesmo ponto exatamente a noventa graus norte ou sul. Uma coordenada perto do polo em que a longitude mudou muito pode representar um local físico a poucos passos de outra coordenada com um valor de longitude completamente diferente, o que quebra qualquer lógica que suponha que as diferenças de longitude correspondem de forma consistente a diferenças de distância, uma suposição totalmente segura em quase todo o resto do mapa.
Os fusos horários perto dos polos apresentam sua própria peculiaridade. Os fusos horários são organizados fundamentalmente em torno de faixas de longitude, o que faz sentido para as latitudes povoadas, onde as pessoas realmente vivem e onde o arco diário do sol dá à hora local um significado prático real. Exatamente nos polos, o sol não nasce e não se põe no padrão diário habitual, e o conceito de "hora local baseada na longitude" se torna quase arbitrário, já que não há um dia solar significativo determinando-o como em todos os outros lugares. Na prática, as estações de pesquisa polares e postos semelhantes normalmente adotam o fuso horário da sua base de abastecimento ou do país de origem, por razões práticas de coordenação, em vez de derivá-lo da sua longitude real, justamente porque um fuso derivado da longitude seria mais confuso do que útil ali.
Nada disso é exatamente um defeito dos sistemas de geocodificação ou de fuso horário, mas sim um caso atípico real em que o próprio modelo geográfico subjacente se comporta de outra forma. Se você está construindo algo que precisa lidar com coordenadas em qualquer lugar do mundo sem excluir os polos, e essa é uma fatia realmente estreita das aplicações, vale a pena testar seus cálculos de distância, sua lógica de fuso horário e quaisquer suposições baseadas em longitude especificamente com coordenadas de alta latitude, em vez de supor que o comportamento válido para as latitudes povoadas se aplica sem problemas. Para a grande maioria das aplicações, que lidam com áreas povoadas e com a faixa comum de latitudes habitadas, isso é puramente acadêmico e não é algo em torno do qual você precise projetar, mas vale saber que existe caso o seu conjunto de dados possa um dia incluir uma coordenada tão distante do equador.
Um endereço no centro de uma cidade bem mapeada quase não diz nada sobre como o seu sistema lida com uma estrada rural, uma fronteira disputada ou uma consulta perto dos polos. Teste os casos difíceis de propósito.
Nem todo conjunto de dados com informações de localização de aparência pública pode ser usado legalmente dentro de um produto pago. Os termos de licenciamento, e não a disponibilidade técnica, costumam definir o limite real.
Quando uma consulta realmente não pode ser resolvida de forma confiável, não retornar nada é uma resposta melhor do que retornar um palpite disfarçado de fato. Veja o raciocínio por trás dessa escolha.